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Hoje procurei no dicionário o significado da palavra aflição, que surpresa: um dos sinônimos é crucificação, outro martírio.
Pronto já me sinto melhor! Se aflição é igual a martírio ou crucificação, posso unir minhas aflições cotidianas ao sacrifício verdadeiro e maior, o sacrifício que inaugurou o tempo da graça, a agonia que gerou a liberdade, a expiação que possibilitou a libertação, a angustia exposta no calvário que teve como conseqüência a vida erguida em um caminho sem volta à glória eterna. Como fugir do que nos une a quem, por opção, se uniu a nós? Como não aceitar viver em nossa carne um mínimo do que o Deus eterno, na pessoa do filho, escolheu viver, nos mostrado no homem o rosto de Deus e no Deus a verdadeira natureza humana. Então escolho erguer a cabeça e seguir, não me restaram opções, seria vergonhoso demais decepcionar a Jesus, isto eu não posso. Afinal eu, simples homem que já conseguiu atravessar o século vinte até o vinte e um, tenho sim o dever de suportar as aflições, que seja então pelo que posso participar: a vida da minha família. A humanidade inteira de Cristo, simbolizada em minha casa, ali posso ser o Sirineu, posso ser o discípulo amado que não fugiu de estar ao lado da Cruz, posso abraçar Maria e olhar para o alto com o coração transbordando de dor e de amor. Que o meu túmulo seja o ontem e hoje eu possa remover a pedra, atravessar o sudário e olhar o céu. Amanhã, o hoje será ontem e o dia anterior vai estar marcado no linho, para que eu possa guardá-lo na parede da minha vida e lembrar todos os dias que mesmo com as marcas das aflições, o sepulcro vai ficar vazio e, o que hoje é união no sofrimento, amanhã será a eternidade na paz. Wendel Iunes de Oliveira Membro do ANUNCIAI
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